CAPITULO I
Ilyon terminou sua revista e olhou ao seu redor, tudo estava até bem arrumado, com exceção de umas roupas, seu lápis, sua borracha e... seu livro da escola, tinha que lê-lo até segunda-feira.
– Dois dias e nem comecei – cochichou para si mesmo.
Pegou o livro, eram duzentas páginas! – Melhor começar já – saiu do quarto, queria ir para um lugar onde se concentra-se (ele não conseguiria com tantas coisas “implorando” para serem usadas).
Quando estava a sair de casa escutou uma voz:
- Não demore para o jantar, meu filho.
Tudo bem, mãe – ele respondeu saindo.
Ilyon olhou em volta, sua vizinhança estava tranqüila como sempre, esse era um dos motivos pelo qual ele adorava viver nesta cidade.
Der repente uma voz soa no ouvido dele, o fazendo saltar:
- Oi, Ilyon! O que você está fazendo? – essas poucas palavras foram o suficiente para que ele soubesse quem era, pois, Sammy, sua amiga de infância a qual ele devia os momentos mais felizes da sua vida.
- Eu vou ler aquele livro da escola – respondeu virando para trás.
- Você ainda não leu? Não sei como você tira notas tão altas, se não faz nada que te mandam para casa!
- Isso! Eu sou um vagabundo sortudo que tira na moeda para responder as questões das provas e acerta todas.
- Deve ser assim!
- Não era pra concordar! – após dizer isso começou a andar.
Ele tinha o costume de fazer isso, por isso Sammy não o seguiu nem disse nada. Apenas o olhou indo para fora da cidade até virar uma esquina se escondendo por trás de uma casa. Então ela correu.
Ilyon foi andando e conforme alguém aparecia cumprimentava simpaticamente. Conhecia boa parte da cidade, não era muita vantagem pois eram no máximo umas cem pessoas que lá moravam.
Andando sempre em linha reta, der repente virou uma esquina. Mais adiante parou na frente de uma casa de portão vermelho, talvez a maior casa da região. Era uma grande construção, com as paredes envoltas de pedras, o que mostrava a riqueza dos donos da casa.
Ele a observou, ela sempre o fascinara e nunca soube porquê. Não sabia muito, também, sobre os donos da casa, só que morava uma garota de sua idade e seu pai, um senhor simpático de uns cinqüenta anos. Eles não costumavam sair, e não estavam em casa havia umas três semanas. Achava que eles tinham viajado.
Depois de uns minutos observando a casa, continuou o seu caminho. Chegou nos limites da cidade, estava a sair quando uma dor lhe tomou o peito, parecia uma grande angustia. Ele nunca sentira isso antes, olhou em volta, não havia ninguém. Se acamou e retornou a sua caminhada.
Caminhava por uma floresta de umas árvores diferentes, com flores de pétalas amarelas arredondadas, suas folhas eram em forma de estrelas, e essas arvores mediam uns três metros e meio.
Olhando essas arvores e outros pássaros que cantavam perdeu a noção do tempo, mas não de onde estava.
Finalmente chega ao seu destino, era uma simples casa de madeira feita por ele e sua amiga, Sammy, há alguns meses para guardarem suas tralhas e terem um lugar onde só para os dois conversarem em paz.
Olhou em volta mesmo sabendo que ninguém estaria ali, pois ninguém andava naquela floresta, a achavam sagrada.
Entrou, tropeçando em algumas caixas com roupas dentro que eles deixavam espalhadas dentro da pequena casa. Lá dentro só havia uma estante com fotos, livros, jogos, entre outras coisas, duas cadeiras, um colchão e uns quatro travesseiros.
Ele parou de analisar a bagunça do lugar, se sentou no chão mesmo, sendo confortado por um dos travesseiros, e começou a ler seu livro.
A história era sobre um homem que comparava a política com um dragão cuspidor de fogo e destruição e comparava o povo com árvores. O dragão vinha e destruía tudo aos poucos, como árvores, o povo nada podia fazer para evitar a situação. Mas der repente surgia um herói para acabar com os dragões (ele se multiplicara), então...
...Ilyon escuta uns barulhos estranhos, uma espécie de fogos de artifício, longe dali. Olhou seu livro, faltavam trinta páginas para termina-lo e já estava escurecendo. “Não posso chegar tarde para o jantar, eu prometi à minha mãe”. Resolveu terminar o livro no dia seguinte.
Estava saindo, quando ouviu de novo aqueles barulhos. Mas dessa vez ele ouviu claramente que eram bombas e tiros.
- Será que estão nos atacando? – disse, sem se preocupar se alguém mais iria ouvir.
- Correu o mais rápido que pode até sentir uma pedra arremessada em suas costas, olhou pra trás, mas não havia ninguém, Olhou para seu peito, estava sangrando. Não era uma pedra e sim uma bala de espingarda.
Ergueu a mão sobre o ferimento, sentiu um cansaço, der repente, e desmaiou.
Fogo para todo lado, pessoas gritando e correndo, confusão. Parecia o apocalipse no qual seus avós contavam história quando era pequeno.
Tudo estava sendo destruído, era difícil identificar as pessoas no meio de tanto caos, mas Ilyon viu sua mãe. Ela estava viva! Correu para seus braços como uma criança pequena corre que não sabe o que está acontecendo corre para sua mãe em busca não de respostas, mas de segurança.
No meio desse percurso, ele ouviu um barulho limpo, tudo ficou em silêncio naquele momento. Sua mãe caiu lentamente, com muito sangue sendo jorrado de seu pescoço. Atiraram na sua querida mãe.
Ela caiu no mesmo instante que Ilyon chegou, ele colocou-a no colo e começou a chorar.
Ele não chorava desde o dia que perdera seu pai, há sete anos. Pois mesmo sendo uma criança, ele sabia que sua mãe precisava dele, que ele seria a partir daquele momento o “homem” da família. Mas naquele momento, com sua mãe morta aos seus braços, chorou.
Ele limpou o rosto de sua mãe com sua a camisa – Eu não me atrasei, mamãe... – olhou para ela por muito tempo até ouvir gritos de garotas pero dali, levantou os olhos e viu três garotas sendo apedrejadas, dentre elas... Sammy!
- Sammy! – gritou Ilyon e no mesmo instante foram disparados de oito a dez tiros sobre as garotas.
Nesse momento Ilyon sente uma dor horrível no peito (No local que fora ferido), que ele não tinha sentido até então.
Ele percebe que tudo está em silêncio e que estava sonhando com tudo aquilo. Ele se levanta e anda, aos tropeços, até a cidade...
... que naquele momento estava totalmente destruída.