CAPÍTULO IV

 

A noite foi muito calma e Ilyon sentiu seu coração mais confortado pelo fato de ter alguém ao seu lado, mesmo que não fosse um ser humano como ele.

Mas, mesmo confortado, não conseguiu dormir, ele achava que se dormisse algo poderia acontecer e pagá-lo de surpresa a noite machucando-os.

Mesmo sem dormir teve uma noite muito tranqüila, e quando se levantou levou um susto! Prah não estava mais no ninho que ele tinha feito de roupas.

Olhou em volta e nada. "Prah, onde você se meteu???", após dizer isso, Ilyon escutou um barulho vindo do ninho e viu Prah mudando de cor novamente

- Você assusta qualquer um, né? - disse Ilyon, enquanto a pegava no colo - Está com fome? - Prah fez sinal de negação - Sede? - desta vez o sinal foi positivo - A minha água já acabou, vamos ver se achamos um rio por aqui, vamos?

Pegou suas coisas e saiu com Prah no colo. Enquanto caminhava, prestava muita atenção nos sons que ouvia, pois um deles poderia ser de um rio. Andou muito e já estava começando a ficar preocupado, quando Prah pula de seu colo e começa a saltar em direção à floresta.

Ilyon não entendeu nada e correu atrás dela.

Prah correra dezenas de metros, até diminuir a velocidade por cansaço, mas mesmo assim foi difícil pegá-la. Até que Ilyon pulou para cima dela, pegando-a.

Ao levantar os olhos, Ilyon viu um pequeno lago.

- Você é muito esperta! - disse Ilyon enquanto a soltava.

Foi em direção ao rio, bebeu e se lavou naquela água tão limpinha. Ficou lá pouco tempo, pois queria achar alguma cidade, uma civilização o mais depressa possível. Queria noticias do mundo. Quem sabe nessas noticias não descobriria quem destruiu a sua cidade?

Com esse desejo em mente, voltou a sua caminhada, dessa vez com Prah no chão.

Andou até o sol chegar ao centro do céu, marcando o meio-dia. Parou poucos minutos para almoçar e retomou sua caminhada até o pôr-do-sol, quando encontrou uma cabana feita de madeira.

Não era uma cabana qualquer, parecia uma casa de passeio de tão bonita, elegante e cara. Era protegida por um portão muito alto, mas que estava aberto "Talvez os donos da casa não acreditam que passe muitas pessoas por aqui...", pensou Ilyon. Tinha um lago logo atrás, um gramado totalmente diferente do que aquele o qual Ilyon andava há dois dias e um desing que deve ter sido feito por profissionais!

Mas parecia muito solitário o lugar, mas mesmo assim ele entrou, acompanhado sempre de Prah. Passou pelos portões e pisou na grama, nesse momento surgiu um rapaz com uns vinte anos, muito alto e forte. Era muito branco e ruivo, tinha uma barba rala muito usada entre detentos na cadeia, mesmo de longe, Ilyon ainda viu diversas cicatrizes no rosto dele, além disso ainda usava uma roupa que Ilyon só via em revistas: terno e gravata.

Onde Ilyon morava não existia uma grande diversidade de roupas elegantes. Era uma quantidade muito pequena e o que tinha era muito caro, por isso o máximo que Ilyon tinha visto até hoje era calças e sapatos sociais.

- O que fazes aqui? - a voz do rapaz não fazia parecer que tinha mais que doze anos, naquele tempo que a voz está começando a mudar.

- Estou perdido. Gostaria de saber onde fica a cidade mais próxima. - respondeu Ilyon.

- Cidade mais próxima? Posso te fornecer essa informação, mas é necessário que você a pague.

- Pagar? Não tenho um centavo... - se arrependeu por não ter pego um pouco do dinheiro do banco da cidade antes de partir.

- O que é centavo?

- Ue? Você não sabe? É moeda de menor valor...

- Nós não usamos centavos. Usamos o "fincs".

- Fincs? O que é isso?

- A moeda oficial, seu lerdo. Como você não sabe disso?

- Não sou daqui. Obrigado por tudo, tchau - dizendo isso foi em direção ao portão.

Chegando lá, escutou um barulho de uma explosão de fogo ao seu lado e os portões, que eram feitos de ferro, derretendo. Olhou para trás e viu o rapaz rindo.

- Da próxima vez, não vou errar - disse o rapaz.

- Seu filho da... - antes de terminar sua fala, Ilyon percebeu que Prah não estava perto dele - Prah, cadê você???

- Você está falando desse bicho ao meu lado? - Prah se encontrava ao lado do rapaz.

- Prah, venha já aqui, não é seguro ficar ai!

- Desde quando a vida é segura, meu jovem? - um senhor com seus setenta anos saiu da mansão e se intrometeu na conversa com essas palavras.

- Quem é o senhor? - perguntou Ilyon.

- Sou o dono da mansão. Meu nome é Bali, me desculpe o meu mordomo, é que ele é meu discípulo, daí tem como missão proteger o templo onde ele treina em troca dos meus ensinamentos.

- Entendo... Tudo bem, eu já estava de saída mesmo...

- Aonde você vai, então?

- Eu? Quer saber a verdade? Não sei. Pode me considerar um andarilho, pois ultimamente estou vivendo como um...

- Andarilho? Hum... Então deve ter grandes poderes e uma grande coragem para andar nessa floresta, não é?

- Poderes eu não tenho nenhum e coragem tenho muito pouco, mas não vejo perigos nessa floresta...

- Mas é perigoso! Muito perigoso... Mostros selvagens, ladrões e doenças. E ainda mais perigoso para um garoto que aparenta ser frágil e...

- Frágil??? Eu não sou! Não tenho poderes, mas não sou fraco! Posso até vencer esse cara ai do seu lado!

- Já vi que é corajoso, venha aqui meu jovem.

Ilyon se aproximou de Bali sem medo. E quando ficou diante do velho o mesmo apontou o dedo indicador em sua testa, fazendo isso Bali fechou os olhos e parecia estar em outro lugar e não ali junto com eles. Ilyon sentiu como seu corpo estivesse renovado, sem uma dor ou cansaço.

Quando Bali retirou o dedo, abriu os olhos e sorriu. Se virou e fez sinal para que Ilyon entrasse na mansão.

Ilyon hesitou um pouco, mas acabou seguindo o velho, "Não tenho nada a perder", pensou Ilyon.

Ao entrar na mansão, sentiu um odor muito desagradável e com esse odor, cansaço. Com isso não escutou, nem viu mais nada. Ilyon desmaiara.