CAPITULO V
Sammy possuía uma beleza desigual, mesmo não sendo muito alta, mais ou menos um metro e sessenta e dois, menor da sua turma em seguida vinha Ilyon com dois ou três centímetros a mais. Rosto e mente de menina, ao contrario do seu corpo que deixava muitos garotos aos seus pés.
Todos admitiam Sammy como a mais bonita, exceto uma pessoa, Ilyon (Ele a considerava uma irmã, nada mais que isso). Um outro grande motivo para ser chamado, às vezes de “Florzinha”. Grande parte da cidade considerava Ilyon uma ótima pessoa, mas também concordavam que ele tinha jeito para a desmunhecada da mãozinha.
Além de seu corpo, Sammy tinha belíssimos cabelos ruivos, era como se eles brilhassem ser ter nenhuma luz por perto, e seus olhos tão azuis quanto o céu.
Mas apesar de toda sua beleza, Sammy nunca ao menos beijara um garoto antes na boca. Ela dizia que esperava um príncipe encantado e que quando ela chegasse seu coração bateria tão rápido que alguém poderia escuta-lo de longe. Esse dia ainda não chegara.
Uma grande fofoca da cidade era a amizade de Sammy e Ilyon. Mesmo sendo muito bonita e simpática, Sammy não tinha muitas pessoas que poderíamos considerar verdadeiros amigos dela. Todos pensavam que existia mais entre eles que era muito bem escondido...
Cidade Natal de Ilyon e Sammy (Ghenesis), Sábado,14:00 horas.
Após Ilyon virar as costas para ela, Sammy correu em direção à sua casa.
Chegando lá, procurou seu pai, em um barraco nos fundos onde ele sempre trabalhava como carpinteiro. O beijou e entrou na casa, foi direto ao seu quarto.
Ela tinha uma reunião com o grêmio estudantil da escola essa tarde. Era uma reunião simples e rápida, mas quando ela acaba todos vão a casa de alguém para uma pequena festa entre eles.
Sammy tomara banho e vestira uma roupa muito simples, não porque não tinha outras melhores, mas ela não gostava de chamar a atenção (O que já era difícil). Ela saiu de casa e se dirigiu à escola onde o grêmio marcou a reunião.
Sammy não fazia parte do grêmio tecnicamente, ela era a editora geral do jornal da escola, por isso participava desse tipo de reunião, mesmo não sendo obrigada.
Mas para ela era bom participar, afinal suas noticias são aprovadas nesse mesmo dia, ao contrario do normal que demoraria dias para a aprovação ou não, pois é necessário a aprovação da maioria do grêmio estudantil.
Quando estava quase chegando, Sammy perguntou as horas a um senhor de uns oitenta anos que morava na sua rua:
- São 15:00, querida! – respondeu o senhor.
- Obrigada – Sammy disse com uma certa alegria, já que não estava atrasada, uma vez que a reunião foi marcada para as 15:45.
Chegando lá, foi muito bem recebida pelo presidente do grêmio, Morris. Era um garoto muito bonito, inteligente e misterioso, pois se mudara para a cidade fazia apenas um ano e já tinha se adaptado o suficiente, virando presidente do grêmio em uma votação que forneceu a ele oitenta e oito por cento dos votos! Outra característica de Morris, eram as suas roupas tão elegantes quanto o seu modo de falar e andar, e não estava diferente esse dia.
O rapaz também paquera Sammy desde a primeira semana de aula, quando os dois saíram nas mesmas turmas, mas mesmo sendo tão elegante Sammy ainda não sentira seu coração palpitar por ele.
Ele era tão elegante e gentil, que chegou a enviar buquês das flores mais caras da cidade só para agrada-la. E mesmo tendo diminuído os flertes por parte dele, ainda persistia com Sammy.
Depois de uns quinze minutos de conversa entre Sammy e Morris, começou a reunião.
Mesmo com uma escola pequena e com poucos alunos, tinha muita coisa a ser resolvida nesse dia, por isso eles ficaram mais ou menos duas horas em reunião.
Quando a reunião terminou, Sammy não sentia a menor vontade de ir para a festa e foi para a cabana que construíram na floresta.
Como seu pai sabia que tinha uma reunião e que quase sempre acabava em festa, não tinha problema voltar tarde para casa.
Ela estava quase na metade do caminho, quando ouviu uma espécie de fogos de artifício vindo da cidade. Isso não era comum, por isso Sammy logo pensou no pior: bombas!
Ela não sabia o que fazer! Morria de medo de bombas!
O maior motivo dessa fobia começou quando seus pais casaram há dezesseis anos. Eram totalmente apaixonados um pelo outro e o que eles mais queriam era uma “criança que abençoasse o casal” (Essa era uma frase muito utilizada em Ghenesis, pois quando uma criança nasce, diz-se que esta criança é um anjo que abençoa o casal e ela deixa de ser um anjo quando tem contato com o oxigênio. Existe uma certa rejeição ao oxigênio das pessoas de lá, elas pensam que o ar que respiramos é o que os torna impuros!).
Um ano depois do casamento tiveram um filho que morreu quando a sua mãe ainda estava com sete meses de gestação. Foi muito difícil para ela superar isso, e num ato de loucura se inscreveu em uma campanha para ajudar combatentes feridos, uma vez que ela era enfermeira. Não agüentou muito tempo e foi embora do campo de batalha dois meses depois, por causa de seus problemas psicológicos.
Voltou para casa e junto com seu marido tentou voltar ao que era antes, uma pessoa feliz que se preocupa muito com os outros. O seu marido fez tudo por ela, e com umas terapias ela conseguiu relaxar e voltar a viver feliz, três meses depois engravidou novamente e dessa vez teve uma filha, Sammy.
Tudo corria bem até Sammy completar um ano de idade, nesse dia a sua mãe foi chamada pelo exercito novamente, já que ela tinha se recuperado psicologicamente. Mesmo com uma grande resistência do marido, a mãe de Sammy foi. Mas ela acabou morrendo duas semanas depois em um ataque traiçoeiro do inimigo aos feridos durante a noite, e nesse ataque foram utilizadas bombas.
Sammy cresceu sabendo que a falta feminina que tinha na casa aconteceu por causa de bombas e pessoas insanas que as utilizavam. Essa é a maior razão do seu pânico por elas.
Para tudo ela sempre foi sensata, nada a assustava, mas só ler sobre isso já a assustava. História sempre foi uma matéria que ela tinha dificuldades por isso: as histórias com bombas faziam Sammy chorar, desmaiar, ignorar e no fim não estudar para a prova, chegando em casa com zeros!
Pensou que poderia voltar para casa e se aconchegar nos braços do seu pai, mas eram lá que estavam as bombas, por isso não teve coragem. Pensou em Ilyon que estava na cabana e continuou o caminho, dessa vez correndo.
Depois de uns minutos correndo avistou Ilyon em sua direção, um pouco longe, mas conseguia vê-lo. Ia gritar, mas sentiu algo bater a sua cabeça e...
...desmaiou.