CAPÍTULO III

 

 

         A sua partida foi simples, não queria mais chorar pelo acontecido. Ainda sentia saudades? Claro que sim, tinha um coração como todo mundo, que embora estivesse congelado, estava vivo. Mas essa saudade o estava matando aos poucos e Ilyon percebeu isso a tempo de concertar, e essa partida seria o passo mais importante e difícil.

         E para fortalecer mais ainda seu espírito, Ilyon nem olhou para trás quando partiu “Já chorei demais”, foi a única coisa que pensou na hora da partida.

 

 

         Ele estava seguindo uma trilha a leste da sua cidade natal e parecia interminável. Não tinha sinalização, essa era a pior situação, não saber quando chegaria a seu destino, se bem que ele não tinha realmente um.

         Já estava andando fazia umas horas e não via nada de novo, apenas arvores. Ele sabia desde a infância, de histórias que ouvia de viajantes, que a floresta que rodeava a cidade era grande, mas ele não sabia que eram horas de viagens para chegar em algum lugar.

         O sol estava se pondo e Ilyon resolveu descansar um pouco, parou na beira da estrada e tentou dormir um pouco. Sentou ao lado de uma pedra cinza-escuro.

Então Ilyon perdido, em pensamentos, fecha seus olhos e adormece.

 

 

Ilyon está em um jardim repleto de flores das mais belas. Qualquer pessoa se maravilharia com aquela perfeição totalmente intocável.

Ele começa a andar no meio das flores e viu muitas criaturas voadoras muito pequenas, pareciam fadas. Eram brilhantes e de cores das mais fascinantes. Eram estrelas no meio da escuridão.

Mas der repente as fadinhas ficam assustadas e voam para longe. Ilyon não entende, no momento. E fica em pé no meio de todas aquelas lindas flores até ouvir um barulho de uma manada se aproximando, sem ação ele fica ali esperando alguma coisa, mas não sabe direito o que é.

Conforme ela se aproxima, Ilyon percebe que não são criaturas comunsm como touros, e sim uma criatura com aparência de elefante, mas sem a tromba, e possuía, pelas contas de Ilyon, dez patas de cada lado! “Por isso tive a impressão de ter mais de uma criatura se aproximando”, pensou Ilyon. Essa criatura tinha uma pele um pouco diferente da do elefante, possuía pêlo azulado.

Ilyon olhava fascinado para a criatura que por sua vez aumentava sua velocidade ainda mais. E por alguma razão, Ilyon não sentia medo. Quando a criatura já estava para atropelar o jovem...

 

 

Ilyon acorda novamente de um sonho. Tinha adormecido e sentia algo se mexendo ao seu lado. Era a pedra!

Ele pulou para permanecer a uma certa distancia dela e viu que a pedra mudava de cor, azul, amarelo, vermelho, rosa, preto e com o tempo começou a aparecer listras, também de inúmeras cores.

Essa mudança de cor foi ficando mais rápida e Ilyon já estava ficando com dor de cabeça daquilo quando, der repente, parou. Estabilizou-se em um bege com listras pretas. A pedra-camaleão ficou de pé e Ilyon pode ver como realmente era aquela estranha criaturinha.

Era parecida com um coelho, mas o rabo era uma cauda longa e fina com uma bolinha de pêlo na ponta. As orelhas eram um pouco menores que as orelhas de um coelho e seu pêlo era um pouco mais longo que o pêlo de um coelho comum.

Ilyon estava maravilhado com a graciosidade da pequena criatura a sua frente que deixou escapar um longo sorriso (até chegou a fazer seu rosto doer, afinal fazia uma semana que não usava esses músculos).

A criatura começou a andar em direção a Ilyon, e era como se ela estivesse aprendendo a andar nesse momento, pois Ilyon percebeu sua dificuldade de dar seus pequenos passos.

Ela andava como um coelhinho, saltitando nas suas patinhas traseiras com um certo sincronismo com as dianteiras. Na pequena distancia (três metros, aproximadamente), ela levou alguns tombos que fizeram Ilyon se apaixonar por ela.

Chegando à Ilyon que estava ajoelhado, a criatura colocou sua pequena língua para fora (era laranjada) e começou a lamber seu joelho. Estando tão perto, Ilyon pode perceber que ela tinha apenas trinta a quarenta centímetros.

Ele a pegou no colo e olhou em volta, percebeu que atrás da arvore onde ele se deitara tinha pedaços de um ovo colorido, com isso chegou a seguinte conclusão: ele é um filhote, mais especificamente um recém nascido.

- Sua mãe deve estar por perto, é melhor tomar cuidado, ela pode ser perigosa... Tchau, fiote! – disse Ilyon à criatura, a deixando no chão.

 

 

Pegou sua mochila e continuou seu caminho sem olhar para trás.

Andou um pouco e resolveu parar perto da trilha para comer um pouco, estava de noite e ele não comera nada o dia inteiro.

Pegou seu cereal e começou a come-lo até ouvir um barulho muito estranho. Era um animal que estava por perto. Se levantou com cuidado para descobrir de onde vinha esse barulho, escutava cuidadosamente, mas não conseguia identificar, parecia vir de inúmeros lugares diferentes. Por via das duvidas pegou sua faca que estava guardada no bolso de sua calça.

Ele levantou a faca e fez uma posição de ataque para ver se conseguia intimidar o animal e o barulho parou. “Parece que ele ficou com medo”, disse Ilyon para si mesmo, enquanto procurava sua mochila que deixara em algum lugar perto da trilha.

E o barulho voltou! O animal estava mais perto que antes e agora ele podia ouvir claramente de onde vinha, era de baixo a sua esquerda. Pode ouvir claramente que o barulho era um grunhido, não de raiva e sim um grunhido de dor, sofrimento!

Olhou na direção que vinha o grunhido e viu novamente a pequena criatura que deixara para trás, mudando de cor.

- Você estava se camuflando, por isso eu não conseguia te ver, não é? – Ilyon disse enquanto a pegava. – Por que estava chorando, hein? Será fome? Tome aqui um pouco dessa pasta gosmenta que eu fiz, quem sabe você goste. – deu um pouco do seu cereal para ela que, por sua vez, comeu muito para o seu pequeno tamanho.

- Quer saber? Você parece bem independente! Vou leva-la comigo, não tenho ninguém pra conversar e falar com uma criatura que respire é bem melhor do que falar com o vento! Que bonitinha você bocejando... Tá com soninho? Vou fazer uma caminha pra você mimir, com as minhas roupas.

Dizendo isso, Ilyon amontoou suas roupas e a colocou por cima dela.

- Você precisa de um nome... Mas eu nem sei se você é fêmea ou macho... Como posso te nomear assim? Que tal Blue? Não gostou? Nem eu... Hum... Quem sabe Bê? Também não? Pode ser Lilã? Horrível esse, né? Já sei!!! Esse você vai gostar... Prah! Combina com você. Gostou, né? Eu sabia que você ia adorar. Agora eu vou te deixar dormir um pouco, nascer deve ser cansativo e me seguir todo esse caminho também. Boa noite!

Dito isso, Ilyon e seu pequeno mascote adormecem.